Neste blog estão minhas colunas publicadas aos domingos no jornal local, O Nacional, além de textos eventuais. Seja bem-vindo! Contato? malubvargas@gmail.com
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segunda-feira, 29 de outubro de 2012
A escolha
É triste ver o olhar embaçado dos meus cães a me mirar. Catarata, dizem os veterinários, tanto no macho quanto na fêmea. Ao completar onze anos, os dois têm lá seus achaques. Dores nas costas e inflamação no ouvido do macho, provável tumor linfático e descompasso cardíaco na fêmea. Tomam seus remédios e vez por outra arrastam o passo, parecem cansados da vida. A vontade de latir não perdem nunca, especialmente se o inimigo é o caminhão do lixo. Embora vivam soltos em casa, também não perdem a gana de escapulir portão a fora, tomar a rua, donos de seus focinhos.
Dia desses fugiram em companhia da mais nova, uma vira-latinha que nem completou dois anos, a vivacidade e disposição em pessoa. Ou melhor, em forma canina. Preocupada com a saúde dos dois velhuscos resolvi sair a catá-los, embora tenha certeza de que sabem voltar para casa, já que essa não é sua primeira escapulida. Encontrei-os num terreno baldio próximo, sobre o qual erguem-se morros e mais morros de terra bem vermelha. Pois bem, a subir e a descer esses morros estavam meus três cães, correndo parelhos, numa farra tremenda. Cavaram buracos, rolaram na terra, provocaram uns aos outros para início de nova correria, felizes da vida. Nenhum velho, nenhum doente ou cansado naquela cena. Fiquei ali olhando, pensativa.
Os cães amam ser livres e poder brincar, embora necessitem muitíssimo de proteção e pertencimento a uma matilha. São necessidades com as quais posso me identificar, talvez daí meu imenso apreço por eles. Por isso me questiono se, doente, cegueta, meio surda e desdentada, sem poder correr, colocar a cabeça para fora da janela do carro em movimento e latir para o lixeiro, eu quereria continuar viva. É claro que o cão não tem consciência de sua finitude e permanece vivo devido à insistência de nossos cuidados. Mesmo assim, me pergunto se estar vivo valeria a pena para ele e não só para mim, que postergaria sua morte para evitar meu sofrimento.
O Conselho Federal de Medicina publicou resolução visando, a meu ver, ampliar o debate e a consciência sobre como vivemos nossa morte. Em caso de doença terminal irreversível cabe ao paciente, enquanto estiver lúcido, decidir se opta por tratamentos para prolongamento da vida ou não. Esses tratamentos muitas vezes pioram a qualidade da vida que resta sem necessariamente prolongá-la por um período significativo. Jamais faria isso com meus cães. Gostaria que eles morressem cercados de carinho, de preferência em casa e sem dor. Não é isso que desejamos a quem amamos?
A essa escolha, seja pela continuidade do tratamento ou adesão a cuidados paliativos, é dado o nome de “testamento vital”. Naturalmente assumo a responsabilidade pelo testamento vital dos animais sob meus cuidados porque nenhum deles é o Stephen Hawking, para o qual o desconforto físico é superado pelo trabalho de um cérebro que possui consciência, planos para o futuro e, diga-se de passagem, se dedica a estudos geniais. Ao cientista brilhante acederíamos sem questionar sua vontade, fosse ela prolongamento doloroso da vida ou aceitação do curso natural da doença. Por que não faríamos o mesmo quanto às decisões dos que nos são próximos? A quem interessaria ver seu familiar vivo, sofrendo a exaustão, preso numa cama, isolado numa UTI, até o último suspiro? Tememos a ausência definitiva justamente porque não sabemos o que fazer com a presença passageira.
A escolha de uma vida boa e uma morte boa. Não é pedir demais, para meus cães, para mim e para os meus.
domingo, 15 de abril de 2012
Tique, taque
Eu costumava cantar “time, time, time, is on my side. Yes it is!” (O tempo está ao meu lado. Ele está sim!), refrão de uma música dos Rolling Stones. Eu era jovem e cantava com absoluta convicção. Essa certeza, contudo, foi se esvaindo por esses dedos que contam o passar dos anos, juntamente com outras tantas verdades absolutas da juventude. Por alguma razão, ao acumularem-se os anos cresce o número de incertezas. As convicções vão rareando e sobram apenas algumas poucas, essenciais, e que ainda assim volta e meia passam pelo escrutínio da dúvida. O que é bom, contém a egolatria e mantém a sanidade, principalmente em se tratando do tempo, um dos deuses mais lindos segundo o Caetano. Mas até o próprio Caetano – na música Oração ao Tempo – tenta entrar em acordo com ele, exemplificação da nossa dificuldade em fazê-lo.
Acreditar ter o tempo sob seu comando é uma ilusão grandiloquente tola. Lutar contra o tempo, uma batalha perdida que deixa gosto amargo no corpo. Segundo Caetano o tempo é “compositor de destinos” e “tambor de todos os ritmos”, o que me leva a devanear sobre a necessidade de entregar-se ao tempo como faz um cão adormecido sobre o sofá em plena manhã de outono. Mas não somos cães e me dou conta que estarmos à mercê do tempo também não é uma verdade absoluta, porque nossos sentimentos parecem influenciar a forma como o vivenciamos, quase como se ele não fosse o perene e inalterável passar dos segundos, mas como se existissem vários tempos dentro de nós. Talvez seja minha relação com o tempo que não é normal. O tempo, há tempos eu acho, não me parece linear e paulatino, mas absurdamente acelerado e escorregadio, alternando essa velocidade incompreensível com momentos de tal imobilidade que chego a jurar que está se mexendo para trás, retornando, como se o Super-Homem tivesse feito a terra girar em sentido contrário, alterando sua rotação e, assim, o tempo. É, eu sei que isso não é possível, mas nos quadrinhos parecia uma ideia bacana.
Possivelmente são os filhos, ou a vivência de crianças crescendo ao nosso redor, que nos fazem enxergar com mais clareza a passagem do tempo externo. No entanto, enquanto são pequenas as crianças podem passar de verdadeiros buracos negros que sugam as vinte quatro horas do dia, reduzindo-o para três ou quatro, a imobilizadores dos relógios, quando você está contando os minutos para liberar uma criança que está aos berros na cadeirinha de pensar. (Provavelmente a criança, como os adultos, não pensa quando está aos berros. Não sou a melhor consultora sobre como se usa a cadeirinha de pensar.) Os hospitais também são lugares excepcionais para compreendermos o gerenciamento escorregadio do tempo e não apenas quando estamos internados. A perplexidade diante de uma mudança brusca da nossa vida em questão de minutos nas emergências e o estancamento absurdo do relógio que consultamos compulsivamente na sala de espera dos centros cirúrgicos nos revela da desarmonia entre o tempo interior e o exterior e da insubmissão de ambos a nossa vontade.
Enquanto releio esse texto fico sabendo da morte do Millôr Fernandes, um pensador essencial na minha juventude. Há poucos dias morreu um humorista presente na minha infância, Chico Anysio. O tempo interno inveja o cão dormindo sobre o sofá. Atrás do sofá, emoldurado na parede, o tempo externo golpeia baixinho meu pesar: tique, taque.
Acreditar ter o tempo sob seu comando é uma ilusão grandiloquente tola. Lutar contra o tempo, uma batalha perdida que deixa gosto amargo no corpo. Segundo Caetano o tempo é “compositor de destinos” e “tambor de todos os ritmos”, o que me leva a devanear sobre a necessidade de entregar-se ao tempo como faz um cão adormecido sobre o sofá em plena manhã de outono. Mas não somos cães e me dou conta que estarmos à mercê do tempo também não é uma verdade absoluta, porque nossos sentimentos parecem influenciar a forma como o vivenciamos, quase como se ele não fosse o perene e inalterável passar dos segundos, mas como se existissem vários tempos dentro de nós. Talvez seja minha relação com o tempo que não é normal. O tempo, há tempos eu acho, não me parece linear e paulatino, mas absurdamente acelerado e escorregadio, alternando essa velocidade incompreensível com momentos de tal imobilidade que chego a jurar que está se mexendo para trás, retornando, como se o Super-Homem tivesse feito a terra girar em sentido contrário, alterando sua rotação e, assim, o tempo. É, eu sei que isso não é possível, mas nos quadrinhos parecia uma ideia bacana.
Possivelmente são os filhos, ou a vivência de crianças crescendo ao nosso redor, que nos fazem enxergar com mais clareza a passagem do tempo externo. No entanto, enquanto são pequenas as crianças podem passar de verdadeiros buracos negros que sugam as vinte quatro horas do dia, reduzindo-o para três ou quatro, a imobilizadores dos relógios, quando você está contando os minutos para liberar uma criança que está aos berros na cadeirinha de pensar. (Provavelmente a criança, como os adultos, não pensa quando está aos berros. Não sou a melhor consultora sobre como se usa a cadeirinha de pensar.) Os hospitais também são lugares excepcionais para compreendermos o gerenciamento escorregadio do tempo e não apenas quando estamos internados. A perplexidade diante de uma mudança brusca da nossa vida em questão de minutos nas emergências e o estancamento absurdo do relógio que consultamos compulsivamente na sala de espera dos centros cirúrgicos nos revela da desarmonia entre o tempo interior e o exterior e da insubmissão de ambos a nossa vontade.
Enquanto releio esse texto fico sabendo da morte do Millôr Fernandes, um pensador essencial na minha juventude. Há poucos dias morreu um humorista presente na minha infância, Chico Anysio. O tempo interno inveja o cão dormindo sobre o sofá. Atrás do sofá, emoldurado na parede, o tempo externo golpeia baixinho meu pesar: tique, taque.
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
Contrariando os princípios
O Millôr Fernandes, que sabe muito de quase todas as coisas, é quem disse que se seus princípios são rígidos e inabaláveis, você, pessoalmente, já não precisa ser tanto. Assino embaixo. Contrario meus princípios com frequência a guisa de viver bem. Atualmente cheguei ao cúmulo da contradição, tendo adotado um programa de exercícios físicos.
A questão é que arrumei um probleminha na coluna que gerou imensa dor. E a dor, tal como a paixão, tem o poder de extrair de nós juras sinceras e profundas do tipo Scarlet O’Hara no alto de um morro vendo sua Tara (a fazenda!) devastada. Mas a gente não tem a mesma “tara” que a Scarlet O’Hara e normalmente as juras de paixão passam quando o fogo começa a arrefecer. Contudo é possível que a jura realizada quando você está chorando de dor – ou de fome e de raiva, no caso da nossa aguerrida personagem – tenha um efeito mais duradouro. De onde os exercícios.
Sou daquelas pessoas que não confessam, mas para as quais se exercitar é contrariar um princípio pessoal importante. É um princípio que se origina de certa onipotência, a de que damos conta de tudo, nada de realmente grave vai acontecer conosco. Como é comum em casos de onipotência, rega o frondoso tronco do nosso princípio inabalável (o de não se exercitar, no caso, embora outros possam ocupar esse lugar) uma água que atende pelo nome de Covardia, que nasce lá nas profundezas dos nossos medos. Medo de nos defrontarmos com as dificuldades, medo de confrontarmos nossa finitude (não, não vamos dar conta de tudo e a morte pode estar mais próxima do que fingimos), medo inclusive (pasmem!) de ficarmos mais bonitas nesse processo, diferindo daquilo que talvez esperassem de nós ou daquilo do qual nos julgamos merecedoras.
Parece que há um lugar chamado Conforto, onde habitamos. É um lugar amplo. Uma zona, chamam. Esse lugar pode inclusive ser bastante desconfortável, mas é nosso, é conhecido, as frustrações nos são familiares, por isso o nome de conforto. Quem é que em sã consciência vai sair das frustrações que lhe são conhecidas para ir buscar outras, fora da zona de conforto? Só quando ousamos aceitar que não há outra saída, pois permanecer no Conforto é perecer.
Eu não quero morrer cedo. Não sei se um dia vou achar que já não é mais tão cedo. Mas mais do que não morrer cedo, não quero que minha terceira idade – que está ali na esquina – seja vivida como um fardo de dor, para mim e para os que me cercam. Então contrario os princípios que me regem há mais de quarenta anos e, resignada como quem toma um remédio, faço meus exercícios. Não tenho sentido dor. Talvez seja possível rearranjar os móveis da zona de conforto para que caiba mais conforto e menos frustração, com um pouquinho de coragem para contrariar a si mesma.
A questão é que arrumei um probleminha na coluna que gerou imensa dor. E a dor, tal como a paixão, tem o poder de extrair de nós juras sinceras e profundas do tipo Scarlet O’Hara no alto de um morro vendo sua Tara (a fazenda!) devastada. Mas a gente não tem a mesma “tara” que a Scarlet O’Hara e normalmente as juras de paixão passam quando o fogo começa a arrefecer. Contudo é possível que a jura realizada quando você está chorando de dor – ou de fome e de raiva, no caso da nossa aguerrida personagem – tenha um efeito mais duradouro. De onde os exercícios.
Sou daquelas pessoas que não confessam, mas para as quais se exercitar é contrariar um princípio pessoal importante. É um princípio que se origina de certa onipotência, a de que damos conta de tudo, nada de realmente grave vai acontecer conosco. Como é comum em casos de onipotência, rega o frondoso tronco do nosso princípio inabalável (o de não se exercitar, no caso, embora outros possam ocupar esse lugar) uma água que atende pelo nome de Covardia, que nasce lá nas profundezas dos nossos medos. Medo de nos defrontarmos com as dificuldades, medo de confrontarmos nossa finitude (não, não vamos dar conta de tudo e a morte pode estar mais próxima do que fingimos), medo inclusive (pasmem!) de ficarmos mais bonitas nesse processo, diferindo daquilo que talvez esperassem de nós ou daquilo do qual nos julgamos merecedoras.
Parece que há um lugar chamado Conforto, onde habitamos. É um lugar amplo. Uma zona, chamam. Esse lugar pode inclusive ser bastante desconfortável, mas é nosso, é conhecido, as frustrações nos são familiares, por isso o nome de conforto. Quem é que em sã consciência vai sair das frustrações que lhe são conhecidas para ir buscar outras, fora da zona de conforto? Só quando ousamos aceitar que não há outra saída, pois permanecer no Conforto é perecer.
Eu não quero morrer cedo. Não sei se um dia vou achar que já não é mais tão cedo. Mas mais do que não morrer cedo, não quero que minha terceira idade – que está ali na esquina – seja vivida como um fardo de dor, para mim e para os que me cercam. Então contrario os princípios que me regem há mais de quarenta anos e, resignada como quem toma um remédio, faço meus exercícios. Não tenho sentido dor. Talvez seja possível rearranjar os móveis da zona de conforto para que caiba mais conforto e menos frustração, com um pouquinho de coragem para contrariar a si mesma.
sexta-feira, 2 de julho de 2010
A desordem da felicidade
Não se preocupe demais com a desordem em sua casa. Embora você se esforce, a sala nunca parece pronta para sair na capa da Casa Cláudia ou de outra revista de decoração? O quarto, então, nem pensar porque a bela poltrona escolhida a dedo está soterrada embaixo de roupas e leituras? Há calçados espalhados pelo chão? Não faz mal. As belas fotos que vemos nessas revistas não são de casas de verdade. Não no exato momento em que as fotos foram tiradas e havia uma equipe observando o enquadramento, a iluminação e colocando o vaso com rosas perfeitas um pouco mais para a direita. Umas quantas pessoas observando a casa, milimetricamente estudando os objetos para compor um ambiente vendido para ser o seu. Só que essas fotos não representam cenas de uma casa de verdade. Pelo menos não da minha, onde a casa é mais vivida do que estudada. E a gente sabe que quando a equipe da revista vai embora, depois de uns momentos de admiração pelo trabalho realizado – quando talvez as pessoas tentem nem parecer presentes para não tirar nada do lugar – a vida invade o ambiente e as rosas maravilhosas eventualmente vão parar no lixo e são substituídas, ou não. Às vezes o vaso fica vazio.
Claro que quando a gente reforma, se muda, compra móveis ou quadros, observa e estuda o ambiente para saber se ficará bom, se estará confortável e acolhedor para as pessoas morarem lá. Pessoas essas que vão tirar os sapatos e colocar os pés em cima do sofá, que largarão copos e canecas pelas mesas, que deixarão jornais pelas poltronas todas e empilharão livros em cima do criado mudo. Isso sem contar os brinquedos bem no meio da sala, para quem tem crianças ou mesmo certos bichos de estimação. Uma casa de verdade fervilha de vida, ainda que seja uma moradia de solteiro, e a vida é movimento. Dificilmente uma casa é estática, parecendo permanente capa de revista e, ainda assim, espelhando felicidade.
Uma das tarefas mais árduas na vida é designar novos lugares para os pertences de quem morreu. Fazemos isso por nossos falecidos, procurando escolher o que fica com quem e o que será doado, encontrando atordoadamente pedaços de nós mesmos em meio às louças, camisas, armários, tapetes. Sabemos que o mesmo será feito por nós – o mais importante: não sabemos quando – e nossos vestígios pela casa terão de ser dramaticamente reduzidos para que os vivos possam continuar a viver.
É por isso que ao final de domingo, quando vejo os rastros dos habitantes da minha casa espalhados por todos os cômodos, não me incomodo muito. Já estou na fase em que prefiro ver minha casa cheia e em desordem, do que vazia, pôster de possibilidades ainda não realizadas ou já finitas.
Claro que quando a gente reforma, se muda, compra móveis ou quadros, observa e estuda o ambiente para saber se ficará bom, se estará confortável e acolhedor para as pessoas morarem lá. Pessoas essas que vão tirar os sapatos e colocar os pés em cima do sofá, que largarão copos e canecas pelas mesas, que deixarão jornais pelas poltronas todas e empilharão livros em cima do criado mudo. Isso sem contar os brinquedos bem no meio da sala, para quem tem crianças ou mesmo certos bichos de estimação. Uma casa de verdade fervilha de vida, ainda que seja uma moradia de solteiro, e a vida é movimento. Dificilmente uma casa é estática, parecendo permanente capa de revista e, ainda assim, espelhando felicidade.
Uma das tarefas mais árduas na vida é designar novos lugares para os pertences de quem morreu. Fazemos isso por nossos falecidos, procurando escolher o que fica com quem e o que será doado, encontrando atordoadamente pedaços de nós mesmos em meio às louças, camisas, armários, tapetes. Sabemos que o mesmo será feito por nós – o mais importante: não sabemos quando – e nossos vestígios pela casa terão de ser dramaticamente reduzidos para que os vivos possam continuar a viver.
É por isso que ao final de domingo, quando vejo os rastros dos habitantes da minha casa espalhados por todos os cômodos, não me incomodo muito. Já estou na fase em que prefiro ver minha casa cheia e em desordem, do que vazia, pôster de possibilidades ainda não realizadas ou já finitas.
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